Padroeiro dos Cachimbeiros

Conforme o confrade amigo Térgio (CAC), São Nicodemos pode ser considerado o santo padroeiro dos cachimbeiros. Suas pesquisas assim apontaram. Fonte: Ascom/Codeba.

A alvorada com salva de fogos pirotécnicos, às 5 horas, da próxima segunda-feira (30/11), anunciará o início dos festejos de São Nicodemus, padroeiro dos trabalhadores do Porto de Salvador. Há 66 anos que a festa congrega fiéis portuários devotos e curiosos que se fazem presentes às homenagens. Este ano, toda a programação será no turno da manhã, iniciando com a alvorada no cais do Carvão. Às 9h30min, a procissão no cais do porto recebe a saudação com o soar do apito dos navios ancorados; às 10h30min, será celebrada a missa na Capela de São Nicodemus.

A celebração também é conhecida como Festa do Cachimbo porque o organizador na época, Cirilo de Nicodemus, tinha o hábito de caminhar pelo cais com um cachimbo oferecido por uma empresa inglesa, para a qual ele trabalhava. Cirilo determinou que cada participante da festa recebesse um cachimbo de lembrança, o que tornou o objeto símbolo da comemoração. São Nicodemus também passou a ser conhecido como o “santo do cachimbo“. Os festejos começaram em 1943, mas só na década de 80 a missa passou a ser celebrada na capela construída para o protetor no Cais do Carvão. Antes, as orações ocorriam na Igreja de Nossa Senhora do Pilar e a imagem de Nicodemus ficava protegida na sede da estiva, atrás do Mercado do Ouro.

São muitas as versões que justificam ser São Nicodemus o padroeiro dos trabalhadores do Porto de Salvador. UMA DELAS narra que um trabalhador do Porto encontrou uma imagem em meio ao carvão vegetal armazenado no Cais do Carvão (à época, um cais com área de aproximadamente setecentos metros quadrados, destinado especificamente, a cargas pesadas). Logo que a imagem foi encontrada os companheiros ali presentes trataram de identificar o santo correspondente àquela representação. Identificaram-na como sendo de São Nicodemus. Então, a partir daquele momento do ano de 1941, São Nicodemus foi eleito o padroeiro dos trabalhadores do Porto de Salvador.

UMA OUTRA é de que certo dia, por volta do ano de 1940, uma mulher chamada Cotinha que trabalhava no Cais do Carvão, como balaieira, estava a colocar o carvão no seu balaio quando de repente encontrou a imagem de São Nicodemus em meio ao carvão armazenado. Assim o Santo foi aclamado Padroeiro nas imediações da prainha onde os estivadores costumavam permanecer na hora do almoço e à tardinha para tomar banho. Cotinha era muito dada e respeitada por todos. Àquela época ela era uma das mulheres a trabalhar no Cais do Porto.

MAS EXISTE UM DEPOIMENTO do professor e historiador Antônio Monteiro sobre o processo de escolha de São Nicodemus como padroeiro dos trabalhadores do Porto de Salvador. Pelos idos de 1942/1943, homens do povo, gente simples, brincavam no Cais do Carvão com um bolo de barro amassando-o e dando aspecto de figura exótica e disforme. Esta figura era às vezes colocada em uma tábua, como também era elevada ao alto como se estivessem fazendo apresentação a uma assistência, a uma platéia imaginária. Em um determinado momento, um dos estivadores, exaltado e emocionado, após um gole de pinga nas barracas da prainha começou a exclamar vários nomes para a figura: “Onofrófrio”, “Prafúcio”, “Procópio”, “Pancrácio”, “Elesbão”. Até então nenhum destes nomes foi aceito. Porém, um dos estivadores, mais experiente, Cirilo Manoel dos Reis, nome de batismo, calmo e respeitado, de súbito proclama – NICODEMUS!!!. Com aplausos e satisfação o nome do Santo foi aceito por todos. Mas, alguns dias após esta brincadeira com a figura de barro no Cais do Carvão, um outro fato veio a acontecer. Certa noite Cirilo Manoel dos Reis acordou assustado devido a um sonho bem expressivo. Disse ele que um homem branco, bonito, calvo de barba alongada e portando um bastão, chegou a bater com o mesmo no piso e franzindo o rosto dizendo: não brinque com o meu nome, que é nome sério. E desapareceu de forma rápida.

No dia seguinte, lá na Rua Campo Sales, antiga Julião, localizada atrás do Mercado do Ouro onde se trocava de roupa para enfrentar o dia a dia na estiva e nas Docas, Cirilo Manoel dos Reis contou o sonho aos companheiros ali presentes. Um deles sugeriu que se procurasse no Taboão um velho Santeiro de nome Vicente. Assim foi feito. O Santeiro confeccionou a imagem como vista no sonho, a partir do retrato falado. Quando de posse da imagem os estivadores levaram-na até a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, onde foi benta e em seguida celebrada uma missa em seu louvor. Após os rituais sagrados a imagem foi conduzida em procissão ao Cais do Carvão. Ali dominou o samba de roda, e o mais curioso: a exposição da figura exótica moldada no barro.

EM UMA DAS VEZES um dos estivadores encontrou a imagem nas águas mansas da prainha e deu nome de São Nicodemus. Esta é mais uma versão que o Sr. Antonio também ouviu contar.

NOS IDOS DE 1940 um trabalhador de capatazia estava fazendo um serviço no Cais do Carvão, quando, de repente, o santo lhe apareceu. Ele ficou muito emocionado e por isso não falou nada para o santo. O santo também nada lhe disse. Passado o momento da emoção esse trabalhador contou o ocorrido aos seus companheiros que decidiram, após a descrição da visão (retrato falado) atribuir-lhe o nome correspondente aos detalhes descritos, de São Nicodemus. Assim Ele foi destinado, logo a seguir, Padroeiro dos trabalhadores do Porto de Salvador.

CONTAM TAMBÉM que a imagem do santo apareceu dentro de uma porção de carvão vegetal. Um grupo de estivadores fazia o descarregamento do carvão vegetal quando encontrou a imagem. Fez uma pesquisa para identificar que santo era, descobrindo mais tarde que se tratava de São Nicodemus e, por isso, resolveu fazer dele o padroeiro da categoria.

Biografia

Nicodemos (grego: Νικόδημος) foi um fariseu, membro do Sinédrio, mestre da Lei, que, segundo o Evangelho de João, mostrou-se favorável a Jesus. Ele aparece três vezes nesse evangelho: na primeira, visita Jesus uma noite para ouvir seus ensinamentos (João 3:1-21); na segunda, afirma a lei relativa à detenção de Jesus durante a Festa dos Tabernáculos (João 7:45-51); e na terceira, após a crucificação, ajuda José de Arimatéiana preparação do cadáver de Jesus para o enterro (João 19:39-42).

O debate com Jesus é a fonte comum de várias manifestações do cristianismo contemporâneo, especificamente a frase descritiva do “nascer de novo”, utilizada para descrever a experiência de crer em Jesus como o Salvador, e o versículo “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16, frequentemente citado para descrever o plano de Deus a respeito da salvação.

O livro apócrifo Evangelho de Nicodemos, foi provavelmente produzido entre os séculos II a V, e é, em grande parte, uma narrativa dos atos de Pilatos.

Embora não haja nenhuma fonte de informação clara sobre Nicodemos fora do Evangelho de João, muitos historiadores identificam-no com Nicodemos Ben Gurion, mencionado no Talmude como um homem rico, figura respeitada, generosa e popular, com a reputação de ter tido poder milagroso.

A tradição cristã também afirma que foi martirizado no primeiro século. A igreja católica venera-o como São Nicodemos. A Ordem Franciscana ergueu uma igreja que tem o seu nome e o nome de São José de Arimatéia em Ramla, Israel.

Texto que busca apresentar uma curiosidade, sem qualquer vínculo religioso!!!

2 Comentários

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2 Respostas para “Padroeiro dos Cachimbeiros

  1. Muito bom o blog confrade Lito, está de parabéns! Gostei dos texto sobre a nobre arte e dos outros também, muito bom!!!

    Um abraço e excelentes cachimbadas!!!
    Rovian

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